Depoimento – Mamãe Carla

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Agradeço de coração à Mamãe Carla por participar! =)

Sou mãe da Laura de 2 anos e 10 meses. Descobri a gestação com quase dois meses, menstruei no primeiro mês. Gestação tranquila, procurei ter uma dieta balanceada com ingestão de frutas, verduras e muita água. Segui todas as orientações da obstetra, com exceção da ingestão de vitaminas, senti que engordei no período que tomei e me dava azia, então investi na alimentação, e tudo ok em todos os exames de sangue.

Minha bebê tinha muito soluço durante a gestação, vimos isso no ultrassom de quatro meses e foi até nascer. Estava com ganho de peso normal. Com sete meses o ganho de peso diminuiu então resolvi comer tudo o que sentia vontade, comia um pote de sorvete em dois dias sozinha, queria que ela ganhasse peso. Teve um dia que comi caranguejo até não poder mais.

Com oito meses tive cistite e comecei a inchar, a obstetra receitou Monuril. Tomei na terça-feira (já tinha perdido o tampão na ocasião e tinha um dedo de dilatação). Na quarta a noite minha bebê começou a se remexer muito na barriga, fiquei assustada, fora o soluço, ela era bem quietinha. No final do dia de quinta estorou a bolsa e o líquido aminiotico era verde. Ela estava em sofrimento fetal.

Fiz hidrogestante para facilitar o parto normal, mas em virtude de eu estar com apenas três dedos de dilatação e do mecônio fizemos cesária as pressas, quase que meu marido não assiste o parte de tão rápido que foi tudo.

Ela nasceu com 2.500kg e 46 cm, de 37 semanas. Não precisou ficar em encubadora. Só queria dormir, não queria mamar. Na sexta a noite identifiquei uma especie de cólica e a enfermeira colocou uma bolsa com água morna na barriguinha dela, no sabado pela manhã a amamentei (umas 6 da manhã). As nove horas foi pro banho, meu marido estava secando ela quando o leite voltou pelo nariz, foi um corre corre, levaram pra aspirar, ficou roxinha. Depois, durante o dia, não tinha santo que a fizesse mamar. Ganhei alta naquele dia e fui pra casa assustada.

A bichinha não mamava, quase tive mastite. Comecei a estimular ela. Com 4 dias, encontrei um filete de sangue na fralda (mas não nas fezes). No PS disseram ser como que uma menstruação devido a queda nos hormonios. Começaram as colicas. Nossa, ela chorava praticamente o dia todo. Quando deitada estava sempre desconfortável. Fazia ruidos estranhos, parecia um gatinho. Não queria aderir a chupeta, mas ela a acalmava e fazia com que vomitasse menos (sempre pelo nariz). idas intermináveis ao PS e a pediatras. Tudo normal, diziam, refluxo fisiológico, logo passa. Quanto ao choro? Eu estava nervosa demais, passava no leite era o argumento. Me convenceram.

Em uma das crises de choro, liguei pra minha avó dizendo que eu não sabia ser mãe, porque Deus havia me dado uma criança, se eu não sabia cuidar, estava chorando com minha bebê no colo.

Tentei tudo, chazinho, funchicória, cortei tudo da minha alimentação: frutas, verduras, alimentos requentados, menos o leite. Mas ingeria muito pouco: margarina e pão apenas. Li livros, fiz técnicas, estabeleci rotina. Evitava sair de casa, ambientes barulhentos nem pensar. Cortei visitas. Não atendia interfone, telefone. tinhamos muitos amigos na época.

Com uns 10 ou 15 dias, fui trocar a fralda e ela se afogou, parou de respirar, ficou roxa. Fiquei desesperada, comei a gritar que respirasse e a correr pelo apartamento chacoalhando ela, até que coloquei minha boca no nariz dela e só parei de aspirar quando voltou a respirar.

Deste dia em diante não dormi mais. Um mês inteiro acordada de madrugada. Minha mãe assumia o turno as seis da manhã, mas eu não relaxava, e ela mamava de duas em duas horas…

Meu marido pegou ferias pra me ajudar. Me falaram de uma gastro, não consegui consulta (só pra dois meses a frente). Fui ao consultório sem consulta mesmo e fui atendida. trocou a medicação, nesta epoca ela estava tomando Label e Mutilium, e a gastro trocou pelo Losec. A melhora foi visivel. ela desconfiou do leite, cortei por dois meses. quando voltei a ingerir minha filha não tomava mais nenhum medicamento. Mas dormia mal a noite.

Gente, a história é imensa. vou tentar sintetizar.

Ela vivia com um tipo de brotoeija (inclusive no inverno), principalmente em volta da boca e no pescoço, chegava a ficar ferida. Passa o dia fazendo hummmmmmmmmm. Como se fosse sempre desconfortável, sempre com dor, fezes sempre liquidas e explosivas (e verdes), muitos gases.

A pediatra, era uma sonsa. Dizia ser tudo normal. Cheguei a chorar diversas vezes no consultorio. Sempre pesquisando na internet e em livros. Mas nunca havia ouvido falar em APLV, achava que era refluxo ainda, mesmo ela não vomitando.

Nesse periodo minha mãe descobriu cancer… mudei um pouco o foco.

Aos seis meses comecei a introdução alimentar, ela negava tudo. Parti pro Nan, ela vomitou. Tentei o nestogeno. Vomitou também. A pediatra disse que era normal dar um pouco de refluxo com o LA. Tambem trancou o intestino e ficou 5 dias sem defecar. E teve bronquiolite.

Desisti, meu coração, dizia para nao dar LA,afinal tinha tanto leite. Nessa epoca doava pro banco de leite. Parei de doar e deixava pra ela. Mas tinha dias que não aceitava mamadeira. Então minha mãe levava a Bebê pra que eu pudesse amamentar nos meus 15 minutos de almoço.

A IA foi lenta. Minha mãe não sabia cuidar direito e eu precisava trabalhar. Tentei uma creche aos oito meses. Foi um dia só. Deram arroz e ela se afogou.

O desenvolvimento dela foi lento, sentou mesmo com 10 meses, tadinha, acho que sentia tanta dor. Ela começou a dormir cada vez mais mal. Tinha uma espécie de engasgo quando dormia, choromingava a noite toda. Aos 11 meses fizemos o exame de PHmetria e deu negativo pra refluxo, a gastro mandou dar Mutilium mesmo assim, mas o medicamento a deixava irritada. Suspendi por conta propria. Levei em um gastro de adulto, ele me aconselhou a fazer endoscopia, mas não confiava mais na gastropediatra.

Minha sogra deu um Yakult, e naquela noite ela teve cólicas horriveis. choramos juntas. Uma amiga minha nutricionista estava sempre me aconselhando. Nessa epoca eu complementava com uma mamadeira noturna (ela dormindo, senão não aceitava) de Nestogeno com Mucilon, por indicação da minha amiga. Até que ela me mandou dar leite de caixinha, disse que o que minha filha tinha era fome. Fiz, e a bebê não dormiu nem 10 minutos. Não dei mais, mas um dia resolvi testar novamente e pimba, mesma coisa, mas ainda assim eu quer leiga e muito mal assessorada.

Minha bebê estava linda, gordinha, mas não dormia e tinha uma especie de refluxo mesmo em pé. Como que se algo liquido ou a comida, viesse até a garganta e ela engolisse novamente.

As pessoas diziam que ela não dormia por manha. Porque durante o dia não viam nada demais nela. Quando tinha um ano e um mês parei de amamentar. E ela parou de comer, só tomava mamadeira dormindo (nestogeno ou sopa batida). Tinha febres altissimas sem motivo aparente. Mas todo mundo dizia que ela não tinha nada.

Até que uma amiga minha disse: “Amiga a mãe é você, é você que sabe se ela tem alguma coisa ou não, mãe sente”.

Minha tia-avó falou de um caso de uma criança com refluxo e me encorajou a ir para curitiba no Hospital Pequeno Principe. E uma amiga minha se sensibilizou e começou a pesquisar, me falou sobre intolerância a lactose e me mandou um texto sobre alergia, mas não dei muita atençao.

Em Curitiba, fizemos endoscopia com biopsia do esofago e nada. Sem refluxo.
Aí comentei com a medica os episodios com o leite. Ela disse: “nem preciso fazer exame, sua filha tem alergia, dê soja”. Naquela noite a Laura acordou apenas duas vezes, tive que ver se estava viva

8 meses na soja resultou em carencia de nutrientes e renitee ainda um pouco de gases, mas estavamos no ceu, parecia tudo tranquilo. me indicaram uma pediatra. Ela trocou a soja pelo aptamil Pepti, consequencia: diarreias, gases, dermatite, noites mal dormidas novamente. Fomos pro pregomim, as reaçoes ficaram menos acentuadas, mas não cessaram. Me desesperei, li sobre o neocate na internet, comprei por conta própria e minha filha dormiu PELA PRIMEIRA VEZ EM SUA VIDA a noite toda. Consegui a troca no Banco do leite.

Vivemos o sonho e o inicio do pesadelo.
Hoje as reações são mais severas se contato com o leite. No ano passado ficou 6 dias internada com gastroenterite e bronquite asmatica, após 1 mes e meio de creche. Ficamos sem o Neocate, sofremos muito para conseguir novamente, passamos periodos apenas com doações, até agente de saúde bateu a nossa porta. Mudamos de bairro por causa da alergia….

Atualmente se fizer contato faz edema, diarreia, dermatite, sente forte dores no abdomen e anus, fica irritada, não dorme. Não defeca todo os dias… e por aí vai..

O que aprendi com essa alergia? A ser mãe, mãe de verdade, mãe de uma criança especial. Tenho tentado vê-la como uma criança normal, igual a todas as outras, tenho tentado me ver como uma mãe normal. Não é fácil, tenho procurado diversões onde o foco não seja a comida. Tem dado certo. No próximo mês tentaremos reintroduzir a soja, e se Deus quizer, teremos sucesso.

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